Jaguaribe: o bicho que deu nome ao rio, o rio que deu nome ao bairro, o bairro que deu nome ao grupo. Carne: de alimento, vida e sexo. A Carne vem da antropofagia e do movimento modernista que eles estudavam nos anos 70. O grupo está para a música nordestina como a chamada vanguarda paulistana está para a produção sudestina dos últimos anos.

O grupo sempre atuou com fusão de linguagens artes visuais, artes-gráficas, teatro, literatura e jornalismo e com a pesquisa e laboratório de sons da "World Music", fundindo-a com a vasta expressão e riqueza do folclore brasileiro e nordestino. Ritmos brasileiros como ciranda, coco, maracatu, caboclinho, catira e boi, se misturam a influências da música do oriente, da África, das vanguardas européias do século passado, do jazz, da música instrumental brasileira. O texto das canções tem contundência e rigor estético, além de compromisso humano e ético.

O grupo desenvolve atividades em torno do que define como "Guerrilha Cultural", junto a entidades comunitárias, sindicais e estudantis e dão aulas em cursos de formação cultural, além de fazerem recitais de poesia e shows didáticos de MPB e música contemporânea, atividades que possibilitam que a população local cresça culturalmente e desenvolva sua noção de cidadania. A idéia desde o surgimento do grupo era de tomar conhecimento do maior número possível de dados, informações e conhecimentos em arte, política, educação e cidadania, fosse de origem popular ou erudita, e mover atos e atitudes que possibilitassem a democratização, a socialização, a popularização e a descentralização desse conhecimento. É daí que vem a noção e a iniciativa de fazer com que toda essa riqueza fosse aberta para quem quisesse e precisasse, fossem artistas interessados em linguagens experimentais ou populações trabalhadoras e estudantis que necessitassem ter contato com a fusão, as dúvidas e as certezas da evolução da arte na cidade de João Pessoa. Tudo isso com uma atuação simples, barata e tendo como base as parcerias que iriam garantir reflexão e diversão para várias comunidades até então carentes de mobilização educadora.

As pioneiras experiências do Jaguaribe Carne apontaram outras direções para o fazer musical, deslocando o eixo geográfico para os bairros, abordando temáticas inéditas e recusando os caminhos da indústria fonográfica. O Jaguaribe Carne levou às últimas conseqüências suas intervenções, propondo inclusive diferentes formas para as apresentações, transformando os "shows" em verdadeiros manifestos que ultrapassavam os limites do repertório musical.

O Grupo é criador de movimentos culturais como a Coletiva de Música 1976, Musiclube da Paraíba 1981, Movimento de Escritores Independentes 1984, além de ter participado ativamente da criação do projeto Fala Bairros arte-educação comunitária em 1982, no bairro de Jaguaribe, “De pé no Chão também se aprende a Ler” do Rio Grande do Norte e da CEPLAR Campanha de Alfabetização Popular da Paraíba que ajudaria a viabilizar o método Paulo Freire de educação popular, Grupo História Viva de Mangabeira, Vivência de Mandacaru, Araponga e Boca da Noite. Com o Musiclube e seus projetos culturais formadores, vem a noção de grupo, de ato cooperativo, de trabalho pré-sindical. Com o Fala Bairros vem a necessidade de assumir o bairro como espaço de cultura, se abrindo para atuar nos quintais, salas, praças, ruas, escolas, associações de moradores, salões paroquiais e clubes de mães em intercâmbios fundamentais. Com o Movimento de Escritores Independentes se consegue uma unidade performática que colocou a produção marginal daquele período na rua, nas praças e escolas para uma apreciação pública mais didática da chamada poesia marginal.

Inicialmente, no começo dos anos 80, o grupo registrou sua música em fitas cassete de produção artesanal, as chamadas FAL Fitas Alternativas. É desse período as fitas Dança Nativa e Repercussão Pedro Osmar e Paulo Ró, Gente Operária de Jaiel de Assis e Jarbas Mariz & Pedro Osmar gravada no Rio de Janeiro em 1982 com as participações especiais de Lenine, Luciano Coutinho, Antonio Santana, Alex Madureira, Ivan Santos e Damilton Viana. Nos anos 90 gravam o LP “Jaguaribe Carne-Instrumental" e em 2004 lançam o cd Vem no Vento. Paralelamente, Pedro e Paulo lançam projetos individuais: Signagem, de 1995, com as experimentações vocais de Pedro Osmar, Viola Caipira, de 1997, com as experimentações violeiras de Pedro Osmar e Jardim dos Animais, de 1999, com canções de Paulo Ró feitas tendo como base o livro de poesias do mesmo nome feito pelo mineiro Ronald Claver. Outros discos foram gravados mas não prensados, entre eles: Novóide, Piano Confeitado, Dez Cenas de Reviola e sua Funcionalidade Cabocla.

Pedro Osmar também participou de vários salões de arte em João Pessoa, Recife e Natal, e teve três textos de sua autoria montados para o teatro: "Quem é palhaço aqui?", em 1978, pelo ator Edilson Dias; "Em Sentido Contrário às máquinas" em 1992, pelo grupo Prefácio, e " Fogo Pretes" em 1998, pelo grupo de teatro dos seis.


Links:

Site do Jaguaribe Carne q

Blog do Pedro Osmar q

História de Pedro Osmar contada através de
um cordel de autoria de Francisco Diniz q

MySpace do Farinha Digital

Site de Chico César
q

Site de Escurinho q


Para baixar:


Jaguaribe Carne : Vem no Vento

Jaguaribe Carne : Instrumental

Paulo Ró : Olhos de Proa

Paulo Ró : Jardim dos Animais

Pedro Osmar : 10 Cenas de Reviola e sua Funcionalidade Cabocla

Pedro Osmar : Signagem

Pedro Osmar : Viola Caipira

Pedro Osmar : Novóide

Pedro Osmar : Piano Confeitado

Pedro Osmar : Canções

Grupo Etnia [Paulo Ró] : Etnia